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A escalada nos casos de feminicídio no Brasil

A última semana no Brasil nos confrontou com a face mais perversa da nossa sociedade. As manchetes nacionais estamparam casos de feminicídio que chocam pela desumanidade. Amputações, tiros e agressões. Estamos vivendo uma crise de segurança pública que atinge especificamente as mulheres, e não presenciando casos isolados. 

Os dados são alarmantes e revelam uma epidemia silenciosa: o país já ultrapassou a marca de mil feminicídios registrados apenas em 2025. São mais de mil mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pelo simples fato de serem mulheres. 

E essa explosão de violência reflete o avanço da misoginia e a fragilidade das redes de apoio. Muitas vítimas permanecem em situações de risco extremo porque desconhecem os canais de denúncia ou porque não encontram acolhimento efetivo quando buscam ajuda. A falta de informação clara e acessível sobre como sair do ciclo da violência é, hoje, um fator que custa vidas em todo o território nacional. 

É neste cenário de urgência nacional que a nossa atuação em Santa Maria se torna ainda mais vital. A campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, que promovo no município, é uma resposta direta a essa estatística sangrenta. Aqui, estamos em constante campanha pela vida. Nosso trabalho nas ruas, entregando materiais educativos e conversando com a população, visa preencher exatamente essa lacuna de informação que, hoje, custa vidas em todo o país. 

No entanto, a conscientização precisa vir acompanhada de investimento público. É imperativo lutar por um país onde a dignidade feminina seja uma prioridade dos estados e municípios. Delegacias da mulher funcionando 24 horas, casas de abrigo estruturadas e suporte psicológico e jurídico acessível são o mínimo necessário para impedir que a ameaça se converta em morte. 

Não podemos normalizar a barbárie. O combate à violência exige vigilância constante e um compromisso de toda a sociedade. Seguiremos firmes em Santa Maria, cobrando, fiscalizando e educando, para que nenhuma mulher precise virar estatística. Queremos e construiremos um futuro onde viver sem violência seja um direito garantido, e não uma sorte. 

Nenhuma a menos. Essa luta é por todas nós!

Reinaldo Guidolin

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