A água é um recurso natural, considerada um bem social de direito público e de uso comum garantido por lei. Isso não é uma opinião, são diretrizes da ONU.
Em Santa Maria, no exato momento em que escrevo essas linhas, vivemos uma crise sem precedentes nos serviços sanitários e de distribuição de água.
Os casos de falta d’água constante, de distribuição de água seriamente poluída e potencialmente contaminada, morosidade na resolução de demandas e cobrança de valores exorbitantes nas contas já se configuram em uma triste realidade na nossa cidade, sem perspectivas de uma resolução no curto prazo.
Por mais lamentável que seja, tudo isso não é mais do que a crônica de uma tragédia anunciada. Diversas frentes contrárias ao processo de privatização da CORSAN já alertavam para as implicações negativas que a medida traria no curto/médio prazo. Não se tratava de discordância ideológica, apenas de fatos. Dados embasados e trazidos de diferentes partes do estado e também do país. Os flagelos que passamos já castigaram um sem número de contribuintes Brasil afora.
A equação é bem simples (e não equaliza dada): A lógica empresarial não se importa com a excelência do serviço, apenas com o lucro. Dessa forma, quando empresas privadas assumem serviços essenciais, áreas que gerem maiores receitas tendem a ser privilegiadas na entrega dos serviços em detrimento de áreas remotas ou mesmo rurais, por exemplo.
Além disso, a fiscalização do serviço se torna mais difícil já que contratos de concessão muitas vezes não garantem transparência e participação popular no controle da qualidade do atendimento. A diminuição dos investimentos em infraestrutura, especialmente em regiões menos lucrativas gera impactos ambientais e sanitários, com aumento de doenças relacionadas à falta de saneamento adequado.
Poderia dissertar por intermináveis linhas mais sobre isso, mas a intenção não é olhar para a tragédia com ares de: “Eu avisei”.
Estamos aqui para procurar soluções, seja ela a Municipalização dos Serviços de Água e Esgoto, compromisso firmado por frente parlamentar nessa semana na Câmara, ou mesmo a Reestatização dos serviços em questão, solução que se mostrou bastante eficaz em muitos locais, o certo é que a resolução dessa questão é urgente!!
Que em breve possamos brindar essa vitória, com água limpa e cristalina.








