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Memórias ao vento

Quando eu escolhi ser jornalista, sabia que estava escolhendo a profissão que me permitiria ser a grande curiosa que sou — e poder me aventurar em pautas, me perder em palavras. Em alguns momentos, diante de uma pauta X ou Y, nós, jornalistas, nos lembramos do porquê de termos escolhido essa profissão. Essa reflexão toda veio após estar presente no retorno do festival de balonismo à cidade, depois de cinco anos.

Era sol, vento gostoso batendo no cabelo, correria para preparar tudo. Foi lindo ver de perto o esforço que estavam fazendo ali para entregar os balões que sobrevoaram — e estão sobrevoando, nesse exato momento, enquanto escrevo. Fiz a pauta, falei com quem precisava falar, mas também me permiti sentar na grama e observar a movimentação, presenciar o retorno de um evento tão marcante para muitos.

Comecei reparando na parte técnica: montar o balão com o cesto pesado, o encaixe de tudo, encher o balão, testar o fogo que aquece o ar… Vi de perto a complexidade e o peso de algo que, minutos depois, estaria flutuando nos céus da nossa cidade. Algo que parece tão livre, solto, leve — mas que, na verdade, carrega um peso enorme.

Não falo mais da parte técnica agora. Enquanto estava sentada, comecei a observar a chegada de muitas pessoas. Eram cadeiras de abrir, chimarrão na mão, famílias se reunindo, vizinhos se encontrando. O fim da tarde se aproximava e já se via pais e avós com seus pequenos — os olhinhos brilhando. Foi quando percebi que estava presenciando a criação de laços, a construção de memórias que vão durar a vida toda. Uma memória afetiva.

Isso me impactou. Me fez pensar no valor cultural — e até mesmo familiar — que eventos como esse têm. Lembrei de mim mesma, que fui criada em Santa Maria, e da empolgação em ver os balões, seja na montagem deles, seja sentada na frente da casa da minha vó, esperando ansiosa pela passagem de um balão, empolgada, olhando para os céus. E, quando percebi, estava fazendo exatamente a mesma coisa. O mesmo sentimento santa-mariense de infância: ver um balão sobrevoando, olhando para o céu. Vinte e poucos anos depois, mais velha, com rotina, com trabalho… Mas, naqueles pequenos minutos, pude voltar no tempo. Resgatar emoções. As mesmas que tantas crianças estavam sentindo pela primeira vez, no dia 10/04/2025.

Então deixo aqui meu apelo: criem memórias afetivas. Busquem cultura e entretenimento em família. Esses sentimentos são eternos no coração de quem sente. Viva a cultura!

Redação enFoco

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