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O impacto das telas na infância: o desafio de equilibrar tecnologia e desenvolvimento

Por Estagiária Maria Francisca Mello e Estagiária Barbara Canha

Revisado por Clara Tesche

Com a sanção da lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos em escolas públicas e privadas do Brasil, um antigo debate voltou à tona: como a tecnologia influencia a vida de crianças e adolescentes? A medida busca proteger a saúde mental, física e emocional dos estudantes, incentivando uma relação mais saudável com a tecnologia e contribuindo para a melhoria do aprendizado.

A era da hiperconectividade

O cenário é alarmante. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet regularmente, e 60% das crianças de 6 a 10 anos já possuem perfil em pelo menos uma rede social. Se por um lado a tecnologia facilita o acesso à informação, por outro, modifica profundamente as relações interpessoais e interfere no desenvolvimento infantil.

O papel da família na mediação do uso das telas

Entre brincadeiras virtuais e rolagens infinitas no celular, muitos pais se perguntam: como saber se o uso da tecnologia está ultrapassando limites saudáveis? O acompanhamento familiar é essencial nesse processo. O excesso de telas pode gerar alterações de comportamento como irritabilidade, ansiedade, dificuldades de concentração e até distúrbios do sono.

A psicóloga e psicanalista Manoela Ludtke Tagliari alerta que o tempo de exposição às telas deve ser controlado de acordo com a idade da criança. “Uma criança de cinco anos, por exemplo, deve ficar no máximo uma hora por dia em frente às telas. Já crianças de seis a dez anos podem ter um limite de até duas horas diárias”, explica.

Os efeitos da tecnologia no desenvolvimento infantil

Nos primeiros anos de vida, brincar de faz de conta, interagir com outras crianças e explorar o mundo real são fundamentais para o desenvolvimento da criatividade, da concentração e de habilidades motoras. Segundo a psicóloga, quando uma criança passa muito tempo em frente às telas, ela pode ser privada dessas experiências essenciais. “A infância é o momento em que desenvolvemos o brincar simbólico. Se a criança está sempre na tela, ela perde oportunidades valiosas para exercitar o raciocínio, a imaginação e a linguagem”, destaca.

Criando limites saudáveis

Reduzir o tempo de tela pode parecer um desafio, mas pequenas mudanças na rotina familiar fazem toda a diferença. Algumas estratégias incluem:

  • Definir regras claras: estabelecer tempos específicos para o uso de dispositivos, como evitar telas antes de dormir.
  • Utilizar aplicativos de controle parental: essas ferramentas ajudam a monitorar e limitar o acesso a conteúdos inadequados.
  • Criar momentos offline: incentivar brincadeiras ao ar livre, interações em família e atividades culturais.
  • Dar o exemplo: os adultos também precisam equilibrar seu tempo de tela para que as crianças sigam esse modelo.

O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas encontrar um ponto de equilíbrio. Com orientação e acompanhamento, é possível garantir que crianças e adolescentes usufruam do mundo digital sem abrir mão das experiências essenciais para um crescimento saudável.

Redação enFoco

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