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A balança dos pets

A obesidade em cães e gatos acende o alerta entre veterinários e leva tutores a repensarem a alimentação dos pets, impulsionando a busca por dietas mais naturais e equilibradas

Cães e gatos ocupam cada vez mais espaço dentro de casa e também na rotina alimentar dos tutores. Petiscos frequentes, restos de comida e pouca atividade física têm contribuído para um problema que preocupa médicos veterinários: o aumento da obesidade entre os animais de estimação. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por dietas mais equilibradas, como a alimentação natural, que tem ganhado espaço entre tutores que buscam maior qualidade de vida dos pets.

Risco silencioso

A obesidade em cães e gatos é considerada uma doença multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no organismo, o que pode comprometer diversas funções do corpo. O ganho de peso geralmente ocorre quando há consumo de alimento acima do necessário ou redução do gasto de energia, criando um desequilíbrio no metabolismo.

Segundo a médica veterinária endocrinologista Andressa Bueno, um dos erros mais comuns é a falta de controle na quantidade de ração oferecida. “Muitos responsáveis não pesam a ração e deixam o alimento disponível à livre demanda, o que acaba levando o animal a consumir mais do que o necessário”, explica. Outro fator é o estilo de vida dos tutores. A rotina corrida e a falta de tempo para passeios, estímulos físicos e mentais podem contribuir para o sedentarismo dos animais. “Os tutores acabam compensando essa falta de atividade oferecendo petiscos ou alimentos como forma de entretenimento, o que favorece o ganho de peso”, ressalta Andressa. Essa oferta de petiscos sem considerar o impacto no consumo diário de calorias é prejudicial. É preciso considerar no aporte calórico diário os extras oferecidos ao longo do dia, como petiscos ou alimentos compartilhados durante as refeições da família.

De acordo com a Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), a obesidade em cães e gatos pode trazer diversos prejuízos à saúde dos animais. Entre as consequências estão problemas respiratórios, doenças articulares, alterações de pele, distúrbios gastrointestinais, estresse térmico, problemas reprodutivos, além do aumento dos riscos em procedimentos cirúrgicos e da redução da expectativa de vida. Em cães, o excesso de gordura também pode desencadear doenças hepáticas causadas pelo acúmulo de gordura no fígado, hipertensão e resistência à insulina, condição que pode evoluir para diabetes.

Por isso, a médica veterinária ressalta que a orientação profissional é fundamental tanto para a prevenção quanto para o tratamento adequado da obesidade. Segundo ela, um dos cuidados básicos é acompanhar o escore corporal do pet, indicador que ajuda a identificar se o animal está dentro do peso ideal. Caso haja tendência de aumento de peso, a recomendação é ajustar a alimentação e, se necessário, buscar acompanhamento com um veterinário endocrinologista para investigar possíveis causas metabólicas. “A ação mais correta é procurar orientação de um médico veterinário, preferencialmente um endocrinologista, que é o profissional responsável por tratar doenças metabólicas como a obesidade”, afirma.

Uma nova forma de alimentar os pets

Diante do aumento da obesidade entre cães e gatos, muitos tutores passaram a olhar com mais atenção para o que colocam no prato dos pets. Nesse cenário, a alimentação natural tem ganhado espaço como alternativa para o controle do peso dos animais. De acordo com Andressa, um dos fatores que favorecem a alimentação natural nesse processo é o volume do alimento. “A saciedade está relacionada ao estômago cheio, ao tempo de ingestão e ao aporte calórico. A ração, por ter pouca água, concentra muitas calorias em um pequeno volume. Já a alimentação natural possui alta umidade, o que aumenta o volume da refeição e contribui para que o animal se sinta mais satisfeito”, explica.

A tendência acompanha um movimento já observado na alimentação humana, marcado pela redução do consumo de produtos industrializados e altamente processados. Os pets são beneficiados por essa mudança, por serem vistos como parte integrante do núcleo familiar.. 

Apesar dos benefícios, a médica veterinária alerta que a alimentação natural deve sempre ser feita com orientação profissional, já que muitos tutores acabam baseando a dieta dos pets nos próprios hábitos alimentares, mesmo com as diferenças nas necessidades nutricionais entre humanos e animais.

Outro ponto de atenção é a suplementação. Segundo Andressa, a alimentação natural precisa necessariamente de complementação vitamínica e mineral. “Grande parte dos tutores que chegam ao consultório já oferecendo comida natural não utilizam suplementação, o que pode causar deficiências nutricionais, principalmente de minerais como o cálcio”, afirma.

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