Uma análise do cenário econômico do Brasil, marcada por desaceleração, juros altos e expectativas para o período eleitoral.
No Brasil, as transformações econômicas costumam acontecer em silêncio. Elas se anunciam de forma gradual até que se tornam evidentes no cotidiano, seja no preço das compras, na parcela do financiamento ou na conversa de fim de tarde sobre o futuro. Para entender o momento atual do país, conversamos com o Mestre e Doutor em economia, André Nunes, economista-chefe do Sicredi, que nos auxilia a compreender a situação econômica que o Brasil enfrenta.
O cenário atual
A economia brasileira atravessa uma fase de desaceleração, consequência direta de um período anterior em que a taxa de juros precisou subir de forma expressiva. Esse movimento foi provocado por três fatores principais: a inflação elevada no final de 2024, gastos públicos muito altos que mantiveram a inflação acima da meta e uma crise de confiança que levou à forte desvalorização do câmbio. Este último, fez com que investidores retirassem recursos do país, pressionando o dólar para cima e enfraquecendo o real. “Tudo isso desencadeou a necessidade de ter uma taxa de juros muito mais elevada”, conclui o economista.
Como resultado, o Brasil atingiu o maior juro real dos últimos 20 anos, o que freou de forma significativa a atividade econômica. Esse freio, explica Nunes, agora começa a aparecer. Setores como serviços, indústria e varejo estão perdendo ritmo. As projeções indicam um avanço de cerca de 2,2% em 2025 e algo entre 1,9% e 2% em 2026. “Do ponto de vista da atividade econômica, não estamos vendo uma crise, mas uma desaceleração”, resume Nunes.
A inflação menor não se traduz em alívio no bolso. Pelo contrário, os preços continuam altos, apenas estão subindo devagar. O custo de vida só diminui de fato quando há deflação ou quando a renda cresce mais do que a inflação, o que não tem ocorrido.
O que, porém, ajuda a impedir que o cenário atual se transforme em algo mais grave é o ano eleitoral, que tradicionalmente aumenta os gastos públicos e estimula a economia no curto prazo. O mercado de trabalho também contribui, pois continua aquecido e garante o consumo básico das famílias.
A política, aliás, tem peso decisivo nos rumos econômicos. O Brasil enfrenta um problema claro nas contas públicas, e o mercado observa atentamente se os candidatos reconhecem esse desafio e apresentam propostas consistentes para enfrentá-lo. Caso o tema seja ignorado, há risco de uma nova crise de confiança no final de 2026. Se a questão fiscal for tratada com seriedade, a transição tende a ser tranquila, independentemente de quem vencer as eleições.
Diante do cenário econômico desafiador, o Sicredi tem mantido sua trajetória de crescimento. A instituição continua ampliando sua carteira de crédito e acompanhando o desenvolvimento dos associados. Para 2026, a estratégia permanece: crescer junto com o associado, apoiando suas atividades econômicas mesmo em períodos de turbulência.
O economista estará em Santa Maria como palestrante do evento Conexões e Negócios, compartilhando insights sobre cenário econômico, estratégias de crescimento e novos rumos para o setor produtivo.








