Home / Agronegocio / Piscicultura avança no Brasil e revela potencial ainda pouco explorado no RS

Piscicultura avança no Brasil e revela potencial ainda pouco explorado no RS

Com mais de 40 mil produtores identificados, setor busca qualificação técnica, tecnologia e planejamento para ampliar a produção de pescado no Estado.

Enquanto a piscicultura brasileira avança e ultrapassa a marca histórica de 1 milhão de toneladas de produção, o Rio Grande do Sul começa a compreender com mais clareza o tamanho e o potencial de sua própria cadeia produtiva. Um levantamento recente trouxe um diagnóstico mais preciso da atividade no Estado e reforçou as perspectivas de crescimento do setor.

O estudo, elaborado pela Emater/RS-Ascar em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (SDR), identificou cerca de 41,7 mil piscicultores em território gaúcho. Desse total, aproximadamente 3,9 mil atuam com produção comercial, enquanto 24,7 mil são agricultores familiares e cerca de 13 mil mantêm a atividade voltada principalmente ao autoconsumo.

O diagnóstico revela que uma parcela significativa da piscicultura ainda está ligada ao consumo familiar — tradição presente em muitas propriedades rurais e que contribui para a segurança alimentar no campo. Ao mesmo tempo, os dados indicam espaço para ampliar a produção comercial, com mais qualificação técnica, assistência especializada e investimentos produtivos.

Produção ainda limitada

Apesar do número expressivo de produtores, a produção gaúcha ainda é considerada modesta quando comparada à de outros estados brasileiros. Estimativas indicam que o Rio Grande do Sul produz cerca de 14 mil toneladas de peixes por ano, volume muito inferior ao registrado no Paraná, onde a produção supera 170 mil toneladas anuais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nesse cenário, especialistas apontam que o crescimento da piscicultura depende de avanços técnicos e de maior profissionalização da cadeia produtiva. O professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria, Rafael Lazzari, explica que a piscicultura brasileira tem na tilápia sua principal base produtiva.

“A piscicultura brasileira tem como pilar a produção de tilápia, uma espécie com genética superior, rápido crescimento, ciclo curto e filés sem espinhos”, afirma.

No Rio Grande do Sul, entretanto, a cadeia produtiva apresenta particularidades. A piscicultura é dominada principalmente por carpas, tilápias e espécies nativas, como o jundiá. As carpas ainda concentram grande número de produtores, enquanto a tilápia se destaca pelo maior valor comercial e pela crescente profissionalização da atividade.

O clima também impõe desafios. Por ser uma espécie tropical, a tilápia exige planejamento cuidadoso do ciclo produtivo. “Quando a temperatura da água cai abaixo de 15 °C, os peixes sofrem estresse térmico e podem morrer em temperaturas inferiores a 10 °C”, observa Lazzari.

Nutrição e manejo

Além das características das espécies, o sucesso da piscicultura depende diretamente do manejo adequado ao longo do ciclo produtivo. Outros pesquisadores do mesmo departamento destacam que nutrição, qualidade da água e sanidade são fatores decisivos para a eficiência da produção.

A professora Naglezi de Menezes Lovatto ressalta que a alimentação representa a maior parcela dos custos na piscicultura. “Os custos com alimentação podem representar até 70% do custo total da produção”, explica.

Segundo ela, a piscicultura moderna utiliza principalmente rações extrusadas, que flutuam na água e permitem acompanhar o consumo dos peixes, reduzindo desperdícios e melhorando o aproveitamento dos nutrientes.

Outro aspecto essencial é o controle da qualidade da água. A professora Leila Picolli da Silva destaca que pequenas alterações no ambiente de cultivo podem afetar diretamente o desempenho produtivo.

“O ambiente de cultivo precisa ser monitorado continuamente, pois variações em parâmetros como oxigênio dissolvido, amônia, pH e alcalinidade podem provocar estresse, reduzir o consumo de ração e comprometer o crescimento dos peixes”, explica.

A temperatura da água também exerce forte influência no metabolismo dos animais. Como os peixes dependem da temperatura do ambiente para regular o corpo, variações térmicas podem reduzir o crescimento, afetar a alimentação e aumentar o estresse fisiológico, exigindo atenção constante dos produtores.

Potencial de crescimento

Em um cenário global de aumento da demanda por proteínas de origem animal, a piscicultura se consolida como uma das atividades que mais crescem na produção de alimentos. Além do potencial econômico, o setor também representa uma alternativa para diversificar a renda de produtores rurais e ampliar a oferta de proteína de alto valor nutricional.

Com maior assistência técnica, adoção de tecnologia e planejamento produtivo, especialistas avaliam que o Rio Grande do Sul reúne condições favoráveis para ampliar sua participação na produção nacional de pescado e fortalecer uma cadeia produtiva ainda em expansão no Estado.

Por: Reinaldo Guidolin

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Estamos de cara nova (ou quase isso!) 🛠️

Obrigado pela sua atenção!


Nosso site está passando por uma grande transição para te atender melhor. Enquanto "arrumamos a casa", você pode encontrar alguns detalhes fora do lugar ou páginas instáveis.

Isso vai fechar em 5 segundos