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Canetinha e Lipedema: milagre ou ilusão? Saiba como treinar certo

 A fusão entre saúde e estética vive um momento de profunda transformação, onde a busca por um corpo perfeito e bem-estar integral dita as novas regras do mercado. Longe dos excessos do passado, a medicina e a tecnologia agora se voltam para tratamentos que respeitam a anatomia individual e tratam o corpo de forma sistêmica. Um dos maiores reflexos dessa mudança é a ascensão do debate sobre o lipedema, uma condição genética e inflamatória que afeta a distribuição da gordura corporal e que finalmente passou a ser discutida sob os olhares da ciência, deixando de ser confundida com a mera obesidade ou padrão estético individual. No centro das estratégias dessa condição, o exercício físico emergiu nas publicações científicas recentes como uma ferramenta terapêutica indispensável. Pesquisas de revisão sistemática indicam que, embora a atividade física isolada não seja capaz de eliminar a gordura patológica do lipedema, ela desempenha um papel crítico na redução da dor e na melhora funcional das pacientes (AMATO et al., 2021).

O treinamento de força ganhou um merecido destaque na literatura médica especializada. Estudos clínicos apontam que pacientes acometidas pelo lipedema sofrem com um deficit significativo de força muscular nos membros inferiores, e o treinamento resistido progressivo surge como a chave para reverter essa fraqueza crônica (ALCOLEIA et al., 2023). De acordo com os consensos científicos, a contração dos grandes grupos musculares atua mecanicamente como uma bomba que impulsiona o fluxo linfático e venoso, diminuindo o acúmulo de líquidos (SCHINGALE, 2022). 

Além disso, os achados reforçam que o fortalecimento atua como uma proteção biológica essencial para estabilizar as articulações dessas pacientes, que frequentemente manifestam hipermobilidade e frouxidão ligamentar (HERBST, 2021), diante desses fatos deve-se cuidar a formulação dos treinos de força, priorizando mais as repetições (ex: 15, 20 até 30) do que a carga, mas cuidando para não chegar ate a falha total sempre restando 2 ou 3 repetições na execução.

O avanço da endocrinologia trouxe os agonistas dos receptores de GLP-1 e GIP, as famosas canetas emagrecedoras, para o escopo do tratamento. Os últimos achados científicos demonstram que moléculas como a semaglutida e a tirzepatida não removem seletivamente os nódulos de gordura do lipedema, mas oferecem benefícios indiretos valiosos através de potentes propriedades anti-inflamatórias e antifibróticas (FORNER-CORDERO et al., 2024). Relatos de casos e ensaios clínicos sugerem que esses medicamentos atuam na modulação de células imunes dentro do tecido adiposo doente, o que reduz drasticamente as citocinas inflamatórias e mitiga a dor ao toque (WOLF et al., 2025). Os pesquisadores concluem que, ao combater o edema extracelular e tratar a obesidade ou a resistência à insulina que frequentemente coexistem com o lipedema, essas terapias medicamentosas consolidam-se como aliadas de peso, desde que integradas a um plano de cuidado global e multidisciplinar (KREUTZ et al., 2024), ou seja as canetas emagrecedoras não eliminam a gordura específica do lipedema, essa  gordura do lipedema é biologicamente doente, não sendo assim eliminada com dietas tradicionais ou remédios, mas pode ser reduzida e controlada através da combinação de estratégias clínicas integradas ou cirurgia.

REFERÊNCIAS

ALCOLEIA, J. et al. Muscular strength deficits and functional mobility limitations in women with lipedema: a clinical controlled trial. Journal of Clinical Medicine, v. 12, n. 4, p. 1542-1555, 2023.
AMATO, A. C. M. et al. Exercício físico no tratamento do lipedema: uma revisão sistemática da literatura. Jornal Vascular Brasileiro, v. 20, e20210123, p. 1-11, 2021.
FORNER-CORDERO, I. et al. Agonistas dos receptores de GLP-1 e GIP no manejo do tecido adiposo inflamado: novas perspectivas para o tratamento do lipedema. Revista de Endocrinologia e Metabolismo, v. 68, n. 2, p. 204-215, 2024.
HERBST, K. L. Joint hypermobility and connective tissue alterations in lipedema patients: clinical guidelines for physical therapy. Lymphatic Research and Biology, v. 19, n. 3, p. 231-240, 2021.
KREUTZ, R. et al. Metabolic and anti-inflammatory effects of incretin-based therapies in subcutaneous adipose tissue diseases. Cardiovascular Diabetology, v. 23, n. 1, p. 45-58, 2024.
SCHINGALE, F.-J. A importância da bomba muscular da panturrilha no manejo do linfedema e lipedema. Revista de Linfologia, v. 16, n. 1, p. 12-19, 2022.
WOLF, S. et al. Tirzepatide modulates macrophage polarization and reduces fibrosis in pathological subcutaneous adipose tissue. Diabetes, Obesity and Metabolism, v. 27, n. 3, p. 612-622, 2025.

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