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Santa Maria avança no planejamento da arborização urbana

Município amplia políticas para o verde urbano, estabelece novas regras de plantio e prepara o Plano Diretor de Arborização Urbana para expandir a cobertura vegetal na cidade.

A presença de árvores nas cidades vai muito além da estética. Elas ajudam a reduzir a temperatura, melhorar a qualidade do ar, ampliar áreas de convivência e até contribuir para a saúde mental da população. Em Santa Maria, a arborização urbana começa a ganhar um planejamento mais estruturado, com metas de expansão da cobertura verde e novas regras para o plantio e manejo das árvores.

De acordo com a secretária adjunta de Meio Ambiente, Charlene Moro Stefanel, o município vive um momento de reorganização das políticas públicas voltadas à vegetação urbana. “Por muito tempo, a cidade não contou com um planejamento estruturado para a arborização dos espaços públicos, o que resultou em uma distribuição irregular das árvores”, explica.

Segundo ela, o cenário começa a mudar com novas diretrizes e iniciativas em andamento. Apenas em 2025, cerca de 500 árvores foram plantadas em diferentes pontos da cidade, e a meta da prefeitura é ampliar esse número nos próximos anos. “Nossa meta é plantar pelo menos 750 árvores por ano até 2028, priorizando espécies nativas e adequadas ao ecossistema local”, afirma.

Arborização como estratégia climática e de saúde pública

A ampliação da arborização urbana também é vista pela gestão municipal como uma estratégia importante no enfrentamento às mudanças climáticas. Entre os benefícios esperados estão a redução das chamadas ilhas de calor, a melhoria da qualidade do ar e o auxílio na drenagem urbana, ajudando a diminuir problemas relacionados a alagamentos. Além disso, as árvores também contribuem para a redução de ruídos e tornam os espaços públicos mais agradáveis.

Para Charlene, os impactos vão além da questão ambiental. “A presença de áreas verdes reduz o estresse, melhora a saúde mental e incentiva a prática de atividades físicas. Portanto, a arborização urbana não é apenas uma política ambiental, mas também uma questão de saúde pública”, destaca.

Segundo a professora Ana Paula Rovedder, do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), estudos científicos já demonstram que comunidades com acesso a áreas verdes bem planejadas apresentam impactos positivos na qualidade de vida da população.

Pesquisas realizadas em países como Inglaterra e Canadá indicam, por exemplo, uma redução significativa nos custos com saúde pública em comunidades próximas a parques e áreas verdes urbanas. Esses espaços estimulam atividades físicas, ampliam o convívio social e contribuem para a prevenção de doenças associadas ao sedentarismo.

Além disso, a presença de áreas verdes também traz outros impactos positivos para as cidades, como a valorização imobiliária, o potencial turístico e a melhoria da paisagem urbana.

Planejamento exige critérios técnicos

Para especialistas, no entanto, o planejamento da arborização urbana exige uma abordagem que vai além do simples plantio de árvores.

“É uma percepção bastante comum associar arborização apenas ao plantio de árvores, mas o conceito é muito mais amplo”, explica Ana Paula Rovedder. “O verde urbano envolve diferentes formas de vegetação e também áreas como praças, parques e remanescentes naturais dentro das cidades, que cumprem funções importantes para o equilíbrio ambiental”.

Segundo a pesquisadora, quando bem planejada, a arborização urbana pode inclusive atuar como um corredor ecológico, favorecendo a circulação de espécies da fauna.

“As cidades também fazem parte das rotas de muitas aves migratórias. Quando existe um conjunto de áreas verdes conectadas, essas espécies podem encontrar abrigo e alimento nesses ambientes”, afirma.

Decreto estabelece novas regras para o plantio de árvores

Um dos marcos recentes dessa política foi a publicação do Decreto Executivo nº 123/2025, que estabelece diretrizes para o plantio, manejo e preservação de árvores em espaços públicos.

A medida surgiu para preencher uma lacuna histórica na regulamentação do tema. “Antes do decreto, não havia uma regulamentação clara, o que gerava dificuldades no plantio, na manutenção e na preservação das árvores”, explica a secretária adjunta.

Entre as novidades está a obrigatoriedade de plantio de árvores nas calçadas de novas construções. Na prática, o habite-se dos empreendimentos só é liberado após a implantação da arborização no passeio público, conforme as exigências urbanísticas e ambientais.

Orientação técnica para evitar problemas

Para orientar moradores, construtores e paisagistas, o município também disponibilizou cartilhas técnicas com orientações sobre o plantio adequado das árvores.

Os materiais indicam espécies recomendadas para o ambiente urbano, distâncias mínimas em relação à rede elétrica e à infraestrutura urbana, além de listar espécies proibidas. O objetivo é evitar problemas futuros, como danos às calçadas ou interferência nas redes de energia e saneamento.

Segundo Ana Paula Rovedder, esse tipo de orientação é fundamental para evitar conflitos entre as árvores e a infraestrutura urbana.

“Muitas pessoas têm vontade de plantar árvores em frente às suas casas, o que é positivo. Mas sem orientação técnica podem surgir problemas, como plantios muito próximos a esquinas ou a redes elétricas. O planejamento da arborização precisa seguir critérios técnicos para evitar esses conflitos”, explica.

A professora também destaca a importância de priorizar espécies nativas no planejamento urbano. Historicamente, grande parte da arborização das cidades brasileiras foi realizada com espécies exóticas, muitas delas com potencial invasor.

“Hoje ainda encontramos diversas espécies invasoras nas cidades, como ligustro, pau-incenso e uva-do-Japão. Essas plantas podem se espalhar para áreas naturais e competir com a vegetação nativa, prejudicando os ecossistemas locais”, alerta.

Plano Diretor de Arborização está em preparação

Outro passo importante será a elaboração do Plano Diretor Municipal de Arborização Urbana, considerado um instrumento estratégico para o planejamento da vegetação na cidade.

Segundo Charlene, o município está em tratativas administrativas com o curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que deverá realizar os estudos técnicos necessários para a construção do plano.

Entre os levantamentos previstos estão o mapeamento das áreas mais vulneráveis ao calor e à falta de sombra, o que permitirá direcionar os plantios de forma mais estratégica.

Após os estudos técnicos, o plano também deverá passar por consultas públicas, garantindo a participação da sociedade na definição das diretrizes.

Projetos buscam ampliar cobertura verde

Paralelamente ao planejamento de longo prazo, a prefeitura já vem implementando projetos de arborização em diferentes regiões da cidade.

Entre eles está o “Rua Mais Arborizada”, que já resultou no plantio de mais de 300 árvores. Outro projeto, em fase de lançamento, prevê a criação de um serviço online que permitirá aos moradores solicitar o plantio de uma árvore em frente às suas residências.

A prefeitura também prevê projetos específicos para áreas estratégicas da cidade, como a Faixa Velha e a Avenida Hélvio Basso, além de ações em escolas e centros comunitários e parcerias com empresas para ampliar o plantio em espaços públicos.

“Essas iniciativas são apenas o começo. Estamos sempre em busca de novos parceiros e soluções para expandir a arborização urbana e construir uma cidade mais verde e sustentável”, afirma Charlene.

Para Ana Paula Rovedder, investir em arborização urbana também significa pensar no futuro das cidades. “Uma arborização bem planejada funciona como um investimento em prevenção, reduzindo problemas ambientais e melhorando a qualidade de vida da população”, conclui.

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