A relação entre estilo de vida e câncer deixou de ser apenas hipótese científica e hoje é um dos pilares da prevenção em saúde pública. Ao longo das últimas décadas, a incidência global de câncer cresceu de forma significativa, impulsionada pelo envelhecimento da população, urbanização e, sobretudo, por mudanças nos habitos de vida.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 em cada 5 pessoas no mundo desenvolverá câncer ao longo da vida. Em números absolutos, são aproximadamente 20 milhões de novos casos por ano, com projeção de crescimento nas próximas décadas. Parte expressiva desses casos está associada a fatores modificáveis, o que reforça a importância da prevenção.
Entre os principais vilões modernos estão os alimentos ultraprocessados. Ricos em açúcares, gorduras saturadas, aditivos químicos e pobres em nutrientes, eles contribuem para a obesidade um fator de risco reconhecido para diversos tipos de câncer, como o de mama, intestino e fígado.
O sedentarismo é outro elemento-chave. A falta de atividade física tem uma forte ligacao com o aumento do risco de câncer. A prática de exercícios ajuda a, fortalecer o sistema imunológico e reduzir processos inflamatórios. Estudos indicam que pessoas fisicamente ativas podem reduzir em até 20% o risco de desenvolver alguns tipos de câncer, especialmente os de cólon e mama.
No panorama global, cinco tipos de câncer concentram grande parte dos casos:
- Câncer de mama – aproximadamente 12% dos novos casos no mundo
- Câncer de pulmão – cerca de 11%
- Câncer colorretal – em torno de 10%
- Câncer de próstata – cerca de 7%
- Câncer de estômago – aproximadamente 5%
Falar sobre câncer hoje não é apenas discutir tratamento, mas principalmente prevenção. Investir em hábitos saudáveis é, cada vez mais, uma das estratégias mais poderosas para reduzir o avanço da doença e melhorar a qualidade de vida da população.
Nesse cenário, a atividade física surge como uma estratégia essencial de prevenção. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, a prática regular de exercícios contribui para a redução do risco de diversos tipos de câncer, como mama, cólon, próstata e endométrio, pois atua na regulação hormonal, na redução de inflamações e no fortalecimento do sistema imunológico (INCA, 2025).
Além disso, estudos científicos demonstram que indivíduos fisicamente ativos apresentam uma redução significativa no risco de desenvolver câncer. Pesquisas indicam que a atividade física pode reduzir em até 40% o risco de alguns tipos de câncer, especialmente aqueles relacionados à obesidade, como os de cólon e mama (ONCOGUIA, 2023).
Do ponto de vista epidemiológico, a prática regular de exercícios como pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada é considerada uma das principais medidas preventivas não farmacológicas, contribuindo para a manutenção do peso corporal adequado e para a redução de fatores de risco associados ao câncer (BRASIL, 2021).
Portanto, fica evidente que o câncer não deve ser compreendido apenas como uma doença inevitável, mas também como resultado de fatores modificáveis. A incorporação da atividade física no cotidiano, aliada a uma alimentação equilibrada e à eliminação do tabagismo, representa uma das formas mais eficazes de reduzir a incidência da doença. Investir em prevenção, é investir em qualidade de vida.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS na prevenção e no tratamento do câncer: como a atividade física ajuda no controle da doença. Brasília, 2021.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Atividade física e câncer. Rio de Janeiro, 2025.
ONCOGUIA. Atividade física reduz em até 40% o risco de câncer. São Paulo, 2023.






